Estudos Bíblicos

Moisés, O Príncipe de Israel

Chamado pela Graça de Deus
Ex. 3:1-10

Introdução:  Somos inclinados a pensar que o chamado de Deus é algo reservado apenas para alguns profetas, pregadores e apóstolos famosos. Já dizia um certo preletor em uma de suas ministrações: "Quando  alguém é chamado por Deus, ele se transforma. Passa a falar diferente,  o vocabulário muda  e até sua  aparência fica diferente." Não sei porque, mas eu consigo identificar um pregador chamado por Deus  no meio de uma multidão de pessoas. Mas o que eu gostaria de afirmar para todos nesta noite é que Deus não chama apenas aqueles que são apóstolos, evangelistas, pastores ou missionários. Como filhos de Deus e ovelhas do seu pastoreio, fomos chamados por ele. Deus tem nos chamado para saírmos  do duro trabalho  para o descanso da sua presença, da morte para a vida em Cristo, da escravidão para a liberdade, das trevas para a luz, da dor que há neste mundo para a paz que há na comunhão com o Seu filho Jesus.
Ef. 1:18“sendo iluminados os olhos do vosso coração, para que saibais qual seja a esperança da sua vocação e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos”.
Ef. 4:1 “Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis como é digno da vocação com que fostes chamados”.
II Ts 1:11 diz “Pelo que também rogamos sempre por vós, para que o nosso Deus vos faça dignos da sua vocação e cumpra com poder todo o desejo de bondade e toda obra de fé”.
II Tm. 1:9 diz “que nos salvou e chamou com uma santa vocação, não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e a graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos”.

Deus não nos chama apenas para a salva­ção, Ele nos chama também para o serviço. Ele tem um chamado, um propósito e uma única missão para cada um de seus filhos. Deus tem um chamado para voce ser líder e um líder de multidões. Existe três tipos de pessoas que faço questão de mencionar nesta noite:
Primeiro, aqueles que estão cumprindo seu chamado. São pessoas que entendem seus dons e suas habilidades. São pessoas que são apaixonadas por Jesus. Estão determinados a viver dentro da visão de Deus e a pagar o preço exigido.
Segundo, aqueles que estão cientes do seu chamado. Eles sabem o que Deus quer que eles façam, mas simplesmente nao decidiram fazer. O problema deste tipo de pessoa não é a falta de conhecimento, mas de obediência.
Terceiro, aqueles que ainda estão procurando pelo seu chamado. Muitos se enquadram aqui. Querem e desejam ser obedientes, mas não sabem exatamente o que fazer. Se você for esta pessoa, não se sinta tão mal assim. Moisés tinha 80 anos de idade quando ele entendeu plenamente o seu chamado. Pode ser que você esteja na fase da preparação. Deus  está primeiramente te preparando para depois você ser usado para cumprir sua missão através do chamado em sua vida.

Quando estudamos a vida de Moisés, percebemos este príncipe lutando com o chamado  que Deus tinha para ele. Podemos recordar de como Deus trabalhou para livrá-lo quando ele era apenas uma criança. Como ele cresceu no palácio de faraó e como ele tentou interferir a favor de seu povo, os hebreus. Nesta porção das Escrituras que trata a respeito do seu chamado, encontramos Moisés já  casado com Zípora, filha de Jetro, sacerdote de Midiã. Encontramos nesese versículos a maneira como Deus preparou Moisés e as circunstâncias que  envolveram o seu chamado,  e podemos assim tirar algumas lições práticas  e pronfundas para aplicarmos em nossas próprias vidas.

I.Preparação para o Chamado de Deus.
   Pastoreando Ovelhas No Deserto (v.1)
Deus não chama ninguém para o serviço enquanto não estiver preparado. Deus nunca vai te chamar sem antes te capacitar para esta missão. Moody um dos pregadores mais conhecidos da história, declarou que “Moisés passou 40 anos pensando que era alguém, 40 anos aprendendo que não era ninguém, e 40 anos aprendendo o que Deus pode fazer com um “ninguém”.

Com a idade de 40 anos Moisés tinha tudo que poderíamos imaginar numa pessoa que poderia ser escolhida como um líder libertador. Ele foi criado pela filha de faraó, tevem um alto conhecimento educacional tendo os melhores professores universitários da época, e estava muito bem entrosado nas camadas mais altas da sociedade egipcía.
Mas como ser chamado com a idade de 80 anos depois de ter passado 40 anos peregrinando no deserto, cuidando de ovelhas que não eram suas?  
O potencial de liderança com certeza  poderia não mais existir. Qualquer sonho de libertar o seu povo provávelmente  tinha extinguido-se do seu coração. O interessante é que quando Moisés pensava que poderia estar qualificado, na realidade ele não estava. Foi quando Moisés achava que não mais era qualificado, é que  ele verdadeiramente estava. Por que o nosso Deus é mestre em capacitar aqueles que pensam que não são e que não podem.

A.Deus usou “ovelhas” para preparar Moisés,
    V. 1 diz “apascentava Moisés o rebanho…”
Não existe ocupação mais humilde nas Escrituras do que a de um pastor. Jesus falou desta humildade quando Ele usou esta metáfora. Ele diz em Jo. 10:14 “Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem”.  Hebreus 13:20 se refere a Ele como "o grande pastor das ovelhas”.
Parte desta humildade em torno do nascimento de Jesus foi que o seu nascimento foi anunciado a pastores. O maior rei de Israel, que foi Davi, cuidava das ovelhas de seu pai antes de ser escolhido para liderar o povo de Deus. Ele teve que ser um pastor antes de se tornar  rei.
Para um israelita ser um pastor era algo muito comum, já estavam acostumados porque fazia parte da cultura em que viviam. Mas para um homem que foi criado nos palácios do Egito se tornar um pastor era algo totalmente diferente. Moisés teve que descer muito  nos degraus da escada da humildade.
Gen. 46:34 “…todo pastor de ovelhas é abominação para os egípcios”.
Moisés estava fazendo aquilo que ele aprendera a desprezar. Um pastor era “uma abominação” para os egípcios porque ele exalava o mau cheiro das ovelhas. Não somente as ovelhas tinham um mau cheiro, como destruíam as pastagens da terra. Eram totalmente estúpidas e dependentes de alguém para liderá-las. Razão pela qual Deus usa ovelhas como uma ilustração do seu povo.
Deus preparou Moisés para liderar o povo de Deus, primeiro permitindo que ele liderasse o rebanho de seu sogro. Salmos 77:20 diz: “Guiaste o teu povo, como a um rebanho, pela mão de Moisés e de Arão.”
E onde Moisés liderava o rebanho? No deserto. Um homem que estava totalmente enriquecido  de toda sabedoria da cultura dos egípcios, teve que aprender com aulas práticas de liderança e sobrevivência no deserto e nos  lugares desolados.
Moisés estava sendo preparado e treinado pela mão de Deus e nem ele mesmo  sabia.
Ele provavelmente imaginava que sua vida ministerial já havia acabado. Ele pensava que as suas oportunidades haviam sido desperdiçadas. Sua visão de vitória libertando Israel da escravidão do Egito era sonho do passado que nunca  se concretizou.  
Ao invés de estar liderando uma nação, estava liderando um rebanho.

B.Deus usou o deserto para Preparar Moisés.
Moisés não estava apenas gastando sua vida cuidando de um rebanho, mas a Bíblia diz que  ele  levava o rebanho para trás do deserto.  O seu trabalho não era apenas ruim; ele era forçado a viver numa terra desolada.
Talvez você consiga entender  e simpatizar-se com o que ele sentia.
Talvez a sua vida possa ser semelhante com  a sequidão do deserto.
Talvez você está sentindo que sua vida tem sido improdutiva, que você foi colocado de lado, que foi esquecido.  Talvez você esteja se sentindo uma pessoa derrotada.
Meu querido, não entre em desespero! Não desista! Saiba que Deus está contigo no deserto. Ele não te abandonou. Veja o que está escrito em Deut. 32:10 “Achou-o numa terra deserta, e num ermo de solidão e horrendos uivos; cercou-o de proteção; cuidou dele, guardando-o como a menina do seus olhos”.
“Menina” se refere à pupila dos olhos. Uma das parte mais protegidas do corpo são os olhos. Da mesma maneira que protegemos nossos olhos com as nossas mãos ou com um par de óculos, semelhantemente Deus protege o seu povo e o seu libertador no deserto. Da mesma maneira, ele não te abandona no tempo de deserto da sua vida.
Lembre-se sempre disto: Ele te protege como a menina dos seus olhos.
Deus usa o deserto para nos preparar, para nos ensinar algumas lições valorosas. Moisés estudou e teve quatro professores no seminário  do deserto,  que lhes ensinou a pedagogia da terra árida.

Primeiro, o professor da Obscuridade. No Egito, Moisés era conhecido por todos, mas no deserto as ovelhas eram a sua única companhia. No Egito todos ouviam quando ele falava. No deserto, para que pudesse ser ouvido ele tinha que usar das varas para que as ovelhas obedecessem.
Para quem viveu no palácio acostumado com os holofotes da notoriedade e tendo a companhia de súditos, é um grande contraste com o sol causticante e solitário do deserto.

Segundo, o professor do Tempo. Moisés tinha iniciado seus estudos quando ele tinha 40 anos. Ele recebeu o seu diploma de graduação do seu seminário,  40 anos depois.
Hoje muitos pensam que 4 anos é muito tempo para ficar num seminário teológico. O de Moisé foi o tempo, 40 anos.

Terceiro, o professor da Solidão. Como líder do povo de Deus, já na jornada em direção à terra prometida, Moisés enfrentou revoltas e  críticas. Como ele lidava com estas  situações?  No deserto ele aprendeu a não ser dependente da afirmação ou da aceitação de outros, mas a depender apenas do seu Deus. Todo  líder precisa desta lição, depender de Deus e não das pessoas.

Quarto, o professor do desconforto. Ele aprendeu a viver com pouco alimento e com pouca  água. A sua pele se tornou como couro, amarrotada e cheia de calos; já não era a pele suave de um princípe.  Moisés foi para o deserto como um principe, mas retornou para o Egito como um simples guia do deserto. Deus usou ovelhas e o deserto para preparar Moisés. Quando Moisés sentiu que estava totalmente desqualificado, foi quando Deus o chamou para ser o líder,  que iria liderar o seu povo na saída do Egito para a terra prometida.

II. Circunstancias do Chamado de Deus
     Pés Descalços e Coração Humilde (vv.2-10)

a)Deus revelou-se no Ordinário.
Era um dia ordinário, um dia como qualquer outro. Não foi um dia diferente como dos demais durante os  40 anos no deserto. O sol nasceu e o dia amanheceu da forma rotineira de sempre. As ovelhas alimentavam-se da mesma maneira como das outras vezes. Então Moisés levou o rebanho para trás do deserto, e chegou a Horebe, o monte de Deus.
Quando Moisés olhava ao redor, ele via basicamente três coisas: As ovelhas, a areia do deserto e as sarças.
Moisés notou que havia no meio de uma sarça uma chama de fogo. Essas sarças no deserto ocasionalmente pegavam fogo porque ficavam aquecidas  por causa do forte calor. Só que desta vez, a sarça ardia no fogo mas não se consumia.
Não era um fogo natural.
Deus usou um dia ordinário, com circunstâncias ordinárias e uma sarça ordinária para falar com Moisés de maneira extraordinária. Deus chama seu povo para siar  das suas rotinas ordinárias.
Ele chamou Gideão quando ele estava amassando grãos.
 Davi quando estava cuidando do rebanho de ovelhas do seu pai.
Eliseu quando estava com as mãos no arado.
Quatro dos apóstolos de Jesus foram chamados quando estavam pescando e Mateus quando estava cobrando impostos.
Precisamos ouvir a voz de Deus nas coisas ordinárias da vida, como numa palavra de encorajamento de um amigo, nas letras de uma música de louvor, num versículo da Palavra ou num momento de oração.

b) Deus revelou-se na Sua Santidade.
V.3 indica que a sarça ardente não foi o que chamou a atenção de Moisés,  mas o fato dela não se consumir. Ele decidiu virar e olhar em direção e se aproximar mais  perto.
Deus estava olhando para  Moisés quando ele virou para ver  a sarça. Quando ele se aproximou da sarça, Deus chamou-lhe pelo seu nome: Moisés, Moisés!
Imagine a surpresa dele. Que voz era esta? Não havia ninguém ao redor, pois ele estava no deserto. Moisés respondeu: “Eis-me aqui!”
Deus então fala para Moisés “tira os sapatos dos pés, porque o lugar em que tu estás é terra santa”.
Nesta sarça vemos um Deus imanente, a sua Presença. Vemos também sua transcendência, a sua Santidade. Interessante é que a primeira vez que aparece a palavra “santo” na Bíblia. Os pés de Moisés calçados com suas sandálias, representava sua condição de pecador. Tirar suas sandálias simbolizava colocar para fora todo pecado pessoal, toda impureza,  e aproximar-se de Deus  com reverência por causa da Sua Santidade. Deus é imanente, Ele está próximo. Não esqueçamos de que Ele é transcendente, santo. Podemos nos achegar a Ele, mas não podemos nunca nos aproximarmos dEle de qualquer maneira.

c) Deus revelou-se na sua Compaixão.
Quando Deus falou com Moisés, o Senhor se identificou imediatamente. Ele queria que Moisés entendesse que não era um novo deus ou os falsos deuses dos egípcios. Ele se revelou como o Deus do passado, do presente e do futuro, um Deus que contempla o sofrimento do seu povo.

1.Ele é o Deus do passado.”Eu sou o Deus de seu pai – O Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó.” Moisés conhecia a história. Ele foi levado a entender que este Deus era o Deus que o usaria para libertar Israel, o mesmo Deus que chamou a Abraão também lhe chamava. Mesmo assim neste conhecimento havia um tremendo mistério. Ele havia “escondido sua face”, porque sabendo que era Deus, ele teve medo de olhar para Ele. Como Isaias, Moisés disse: “Ai de mim”.

2.Ele é o Deus do Presente. Deus disse: “Com efeito, tenho visto a aflição do meu povo, que está no Egito, e tenho ouvido o seu clamor por causa dos seus exatores, porque conheço os seus sofrimento.”  Deus conhece o que nós estamos experimentando no nosso viver diário e sabe de todas as circunstâncias que envolvem a nossa vida.  Ele sabe a dor que você está sentindo, o sofrimento pelo qual você está passando e ele conhece as feridas da nossa alma e os nossos maiores desafios no presente.

3.Ele é o Deus do Futuro. “Desci para o livrar da mão dos egípcios, e para o fazer subir daquela terra para uma terra boa e espaçosa, para uma terra que mana leite e mel”

4.Deus se revelou a Moisés como um Deus de compaixão (v.9).
Lamentações 3:22-23 “ Por causa das misericórdias de Deus…”

d) Deus revelou o seu Plano
Ele não é apenas imanente, é transcendente e um Deus que conhece o sofrimento do seu povo. Ele tem um plano, é um Deus de estratégias. v.10 “Agora, pois, vem, e eu te enviarei a Faraó, para que tires do Egito o meu povo, os filhos de Israel”.
Se fosse 40 anos atrás, Moisés teria aceitado de imediato esta oportunidade. Mas o plano de Deus era usá-lo a partir daquele chamado. Moisés que antes desejaria de maneira desesperada ser chamado para ser  o libertador de Israel, agora é que estava sendo efetivamente chamado pelo Senhor para esta tão nobre missão.


III. Conclusão:  Lições do Chamado de Deus.
Avaliação Pessoal e Prática.
a) Deus deleita-se em nos tirar da prateleira e nos colocar numa posição na qual possamos serví-lo.
Podemos nos identificar com Moisés. Temos sonhos, grandes visões e chegamos a experimentar nossos sonhos sendo apagados. A realidade é que todos nós falhamos.
Por causa da sua falha, do seu erro, você pode pensar que lhe colocaram numa prateleira, te colocaram no cabide. Talvez você se sinta como uma pessoa sem valor, como alguém  que nunca  Deus vai usar. Você pensou naquilo que uma dia você poderia ser, e que nunca mais será.
Precisamos entender, o nosso tempo não é o tempo de Deus. Seja fiel hoje e confie nele para o dia de amanhã.

b) Deus usa pessoas ordinárias de maneiras extraordinárias.
Deus se alegra em usar o natural de uma maneira sobrenatural. Você pode dizer:  não sou ninguém, não tenho a cultura, o conhecimento, o "know-how"  ou a experiência de Moisés.
Mas preste bem atenção: Se Deus usou uma sarça, Ele pode usar você também.
A sarça representa Moisés e todos os servos de Deus. O fogo sempre foi um símbolo do poder de Deus. A sarça é um símbolo de algo ordinário. Somos fracos, apenas como as sarças comuns que brotam no deserto, porém com o poder do fogo e da unção de Deus em  nós, deixamos de ser apenas pessoas ordinárias para sermos extraordinários, ou seja, homens e mulheres diferentes por que temos em nós o que nos faz diferentes, a presença de Jesus Cristo, o nosso Senhor e Salvador.
II Cor. 4:7 “Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não da nossa parte.”  Isto mostra, que o grande poder é de Deus e não de nós.

c) Deus dá a vasos quebrados novas oportunidades.
É a graça de Deus. Hoje Deus oferece a você uma segunda chance. Ouça o chamado de Deus.

Ill. Uma lenda da India, fala sobre um homem que carregava água nas costas com dois potes, um de cada lado em cima de um pedaço de madeira. Um dos potes era perfeito e o outro tinha um trincado. O perfeito levada toda a sua capacidade de água, mas o trincado vazava e quando o homem chegava na sua casa, este pote estava apenas pela metade. O pote perfeito estava orgulhoso da sua perfeição, enquanto o trincado estava vergonhoso de sua imperfeição, porque conseguia fazer apenas a metade do que ele deveria fazer. Finalmente, o pote trincado falou para o seu dono: “Estou com vergonha de mim mesmo e quero pedir perdão. O moço perguntou: “Porque? Você está com vergonha de que?” O pote respondeu: “Eu só posso entregar metade da minha capacidade por causa deste trincado no meu lado, que me faz perder metade da água no retorno para casa. Por causa da minha falha, você tem  todo este trabalho, e não consegue um bom resultado  pelo seu esforço.”
Mas o carregador sentiu pena do velho pote quebrado, e na sua compaixão ele disse: ”Quando retornarmos para casa, quero que você note que no caminho lindas flores desabrocham. Você já percebeu que apenas no caminho do  lado em que você está é que existem flores? Isto acontece porque eu sempre soube da sua falha e do seu defeito e me aproveitei disto. Eu plantei sementes de flores no caminho do seu lado, e todo dia que eu retorno da fonte, você as rega. Se você não fosse assim do jeito que você é, não teríamos estas lindas flores.”
Todos nós temos imperfeições. Somos todos potes trincados. Mas se permitirmos Deus usa nossas imperfeições para ornamentar a sua mesa. Na economia de Deus, nada é desperdiçado.

No amor do Messias,
Ap. Roberto Paiva
Ministério Internacional Rios de Água Viva


Mantendo o Altar Restaurado
Levítico 6.8-13
Introdução
Este texto nos fala de altar – O que é o altar. Para que ele serve, por que é importante.Altar é onde se encontram os reis e os senhores. É um lugar de honra, onde o seu ocupante recebe adoração dos seus súditos, e de onde o seu ocupante dá ordens e toma decisões.
No altar que são oferecidos os louvores, adoração, sacrifícios e ofertas,  e no altar é que são feitas as petições.E no VT testamento vemos a existência de um templo onde as pessoas iam para adorar o verdadeiro Rei, o Rei dos Reis e Senhor, e neste templo havia o altar. E este altar simbolizava as coisas celestiais como diz em  Hebreus, que é sombra do verdadeiro que está no céu.
 Hb 8.5 “os quais servem àquilo que é figura e sombra das coisas celestiais, como Moisés foi divinamente avisado, quando estava para construir o tabernáculo; porque lhe foi dito: Olha, faze conforme o modelo que no monte se te mostrou”
Em Apocalipse, João viu um Trono e diante do trono um altar Ap 8.3 “Veio outro anjo, e pôs-se junto ao altar, tendo um incensário de ouro; e foi-lhe dado muito incenso, para que o oferecesse com as orações de todos os santos sobre o altar de ouro que está diante do trono.”
Isaías também viu o altar.  Is 6.6 “Então voou para mim um dos serafins, trazendo na mão uma brasa  viva, que tirara do altar com uma tenaz;”, de onde são oferecidas as orações.
Jesus falou do altar e da oferta Mt 5.23 “Portanto, se estiveres apresentando a tua oferta no altar, e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti,”, Mt 23.19 “Cegos! Pois qual é maior: a oferta, ou o altar que santifica a oferta?”
1 – É necessário um altar para cultuar à Deus
Vemos Deus dando ordem para construir um altar:
Ex 20.24 “um altar de terra me farás, e sobre ele sacrificarás os teus holocaustos, e as tuas ofertas pacíficas, as tuas ovelhas e os teus bois. Em todo lugar em que eu fizer recordar o meu nome, virei a ti e te abençoarei.”
Vemos em todas Bíblia altares sendo edificados à Deus:
a)Noé “Edificou Noé um altar ao Senhor; e tomou de todo animal limpo e de toda ave limpa, e ofereceu holocaustos sobre o altar.”Gn 8.20
b)Abraão “Apareceu, porém, o Senhor a Abrão, e disse: ë tua semente darei esta terra. Abrão, pois, edificou ali um altar ao Senhor, que lhe aparecera.”Gn 12.7
c)Isaque “Isaque, pois, edificou ali um altar e invocou o nome do Senhor;  então armou ali a sua tenda, e os seus servos cavaram um poço.”Gn 26.25
d)Jacó “Depois disse Deus a Jacó: Levanta-te, sobe a Betel e habita ali; e faze ali um altar ao Deus que te apareceu quando fugias da face de Esaú,  teu irmão.” Gn 35.1
e)Moisés “Pelo que Moisés edificou um altar, ao qual chamou Jeová-Níssi.” Ex 17.15
f)Gideão “Então Gideão edificou ali um altar ao Senhor, e lhe chamou Jeová-Salom; e ainda até o dia de hoje está o altar em Ofra dos abiezritas.”Jz 6.24
g)Saul “Então edificou Saul um altar ao Senhor; este foi o primeiro altar que ele edificou ao Senhor.” I Sm 14.35
h)Davi “Naquele mesmo dia veio Gade a Davi, e lhe disse: Sobe, levanta ao Senhor um altar na eira de Araúna, o jebuseu:”II Sm 24.18
i)Elias “Então Elias disse a todo o povo: chegai-vos a mim. E todo o povo se chegou a ele. E Elias reparou o altar do Senhor, que havia sido derrubado.”I Rs 18.30
j)Urias “E Urias, o sacerdote, edificou o altar; conforme tudo o que o rei  Acaz lhe tinha enviado de Damasco, assim o fez o sacerdote Urias, antes que o rei Acaz viesse de Damasco.” II Rs 16.11
l)Esdras 3.2 “Então se levantou Jesuá, filho de Jozadaque, com seus irmãos,  os sacerdotes, e Zorobabel, filho de Sealtiel, e seus irmãos; e edificaram o altar do Deus de Israel, para oferecerem sobre ele holocaustos, como está escrito na lei de Moisés, homem de Deus.”
Existe um altar no templo, existe um altar na Igreja, existe um altar no céu, e é necessário que exista um altar em nossos corações e em nossa vida cristã. Um altar em nossa casa, um altar nos nossos relacionamentos, para que haja sempre momentos de adoração, de sacrifícios à Deus, de orações e clamores e de ofertas voluntárias, e é deste altar que procede as bençãos de Deus, as respostas de Deus.
2 – O Altar é ultilizado para reconhecimento da Soberania de Deus sobre as nossas vidas
Quando não existe um altar, não existe lugar para adoração, para cultos e para manifestações divinas em favor do homem. Elias (quando enfrentou  Jezabel, fugiu quando viu os altares de Deus derribados. I Rs 19)
O Altar era usado para aplacar a ira de Deus, e para tornar o Senhor propício ao seu povo
. “E edificou ali um altar ao Senhor, e ofereceu holocaustos e ofertas pacíficas. Assim o Senhor se tornou propício para com a terra, e cessou  aquela praga de sobre Israel.” II Sm 24.25
Este texto nos é interessante, na medida em que ele nos fala da manutenção do altar. Ele nos ensina como o altar deve ser mantido, quando ele está pronto para o sacrifício e nos fala também do ofertante. É nossa responsabilidade, como sacerdotes da Nova Aliança, manter o altar de Deus,
 em nossas vidas, em perfeito estado, como o Senhor nos orienta, em Sua  Palavra. Quais são as orientações de Deus, que devermos seguir, para que o nosso altar se mantenha sempre pronto para Ele ? I Pe 3.15 “antes santificai em vossos corações a Cristo como Senhor;”

2 - O fogo deve ficar acesso continuamente (vs. 9, 12,13)
O holocausto ficaria no altar durante toda a noite e o fogo estaria queimando-o.
Pela manhã, o sacerdote tiraria as cinzas e colocaria mais lenha; a chama não deveria, nunca, apagar. O fogo era um elemento indispensável ao altar; altar sem fogo era altar  sem a presença de Deus; altar sem fogo era altar em ruínas. Fogo sobre altar era a confirmação da aceitação de Deus do sacrifício recebido.

No caso de Elias (I Rs 18.30-38) e de Manoá (Jz 13.20), Deus recebe os sacrifícios com fogo.
Fogo em nosso altar, no altar do nosso coração, significa fervor, dedicação, entusiasmo, a presença de Deus sentida.
Isto não é coisa de pentecostais; veja os discípulos a caminho de Emaús (Lc 24.32), enquanto Jesus lhes falava: ardia-lhes o coração.
Como esperar que Deus se empolgue com nosso culto, se não nos empolgamos com Sua presença.
Estou falando da indiferença que, às vezes, recai sobre nossa adoração, a ponto de tornar nossa estadia na igreja um compromisso social, ao invés de um ato de adoração. Como um Deus vivo pode receber uma adoração sem vida ?
Jo 15.4 nos ensina que a falta de fervor e devoção é também falta de temor.
 Algumas tempestades da vida podem apagar o fogo de nosso altar. O excesso
de cinzas podem apagar o fogo de nosso altar. Rm 12.11 “não sejais vagarosos no cuidado; sede fervorosos no espírito, servindo ao Senhor;”
3 - O ofertante deve se vestir com as vestes da santidade (vs. 10)
Era este o que o linho simbolizava, a santidade. Se quisermos manter nosso  altar em ordem, precisamos nos vestir com as vestes da santidade. Palavras como separação, consagração e dedicação são chaves para entendermos o que é santificação. Como alguém, que não é separado deste mundo para glorificar a Deus, pode desejar que o Senhor receba seus sacrifícios ?
Como alguém, que não é consagrado e dedicado ao Senhor, pode almejar a presença de Deus em sua vida ?
Malaquias 1.7
Lm Jeremias 2.7
Malaquias 1.10

4 - O ofertante deve levar as cinzas para fora (vs. 10, 11)
As cinzas são as sujeiras que se ajuntam no altar. Para o altar estar pronto para o sacrifício, elas devem ser levadas para fora todos os dias.
Que significado tremendo para nós ! Isto aponta para a confissão de pecados a Deus, para a restauração da comunhão com os irmãos e para a limpeza de nosso coração, em relação a todos os sentimentos ruins. Levar as cinzas para fora é libertar-se das culpas do passado, abrindo oportunidades para que novas experiências com o Senhor tenham lugar.
As cinzas era o que restava dos sacrifícios, de toda a festa, de toda a adoração, as cinza são o que aconteceu no passado. Nós devemos nos lembrar de tudo o que Deus fez, mas não devemos viver só do que Deus fez, Deus manda remover as cinzas para que haja mais louvor, mais adoração, mais sacrifícios. Quando nos apegamos às coisas do passado, e vivemos somente das experiências do passado, o nosso altar está cheio de cinzas, e apenas cinzas, mas Deus é um Deus inovador e renovador.

Conclusão: Com estes cuidados, nosso altar estará sempre pronto para que, nele, possamos oferecer e servir a Deus com sacrifícios agradáveis.